Curso de laparoscopia em cadáver: ensinar, aprender e agradecer

Dr. José Vitor Zanardi no saguão do IRCAD, durante treinamento de laparoscopia em cadáver

Autoria

Por Dr. José Vitor Zanardi
Médico ginecologista
CRM-SP 130.097 · RQE 38.308 · RQE 38.308-1

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Ensinar é também uma das formas mais bonitas de continuar aprendendo.

Neste ano participei pela segunda vez de um treinamento avançado em dissecção pélvica e laparoscopia em cadáver, realizado pelo NAVEG no IRCAD. Esta edição teve um significado especial: pela primeira vez, tive a honra de atuar como instrutor.

A experiência reuniu duas responsabilidades que considero inseparáveis na medicina: seguir aperfeiçoando minhas habilidades e compartilhar o que aprendi ao longo da minha trajetória. Mesmo na posição de professor, continuo com a certeza de que sempre temos muito a aprender.

Mais do que um treinamento cirúrgico, foram dias de troca, reflexão e gratidão.

Dr. José Vitor Zanardi no IRCAD, durante treinamento avançado de dissecção pélvica em cadáver
No IRCAD, durante o treinamento avançado em dissecção pélvica em cadáver.

Ensinar cirurgia sem deixar de ser aluno

Participar de um curso como instrutor muda a nossa posição, mas não encerra o aprendizado.

Ao compartilhar conhecimentos, somos convidados a rever conceitos, organizar o raciocínio e ouvir outras perspectivas. Cada pergunta e cada troca com os colegas é uma oportunidade de olhar novamente para aquilo que fazemos.

É assim que enxergo a formação cirúrgica: um processo contínuo, construído com estudo, prática, responsabilidade e disposição para aprender.

Essa experiência reforçou meu compromisso de contribuir para a formação de outros cirurgiões e de participar de um esforço coletivo para aprimorar o tratamento cirúrgico da endometriose.

Laparoscopia e endometriose: um compromisso com o aperfeiçoamento

Para mim, o aperfeiçoamento em cirurgia laparoscópica faz parte do compromisso com as pacientes que confiam em nosso cuidado.

Na endometriose profunda, a doença pode envolver regiões próximas ao intestino, à bexiga, aos ureteres e aos nervos da pelve. Conhecer essa anatomia em detalhe é parte do que torna a cirurgia mais segura. O treinamento em cadáver permite estudar essas estruturas com calma, em um ambiente dedicado ao ensino, antes de levar esse conhecimento à sala de cirurgia.

Não se trata apenas de aprender uma técnica. Trata-se de manter uma postura de atenção, responsabilidade e respeito diante de cada história.

Voltar a um ambiente de ensino, agora como instrutor, foi uma oportunidade de renovar esse compromisso ao lado de colegas que também dedicam suas vidas ao aperfeiçoamento da cirurgia.

O respeito às pessoas que doaram seus corpos ao ensino

É impossível falar sobre essa experiência sem reconhecer quem tornou esse aprendizado possível.

Minha mais profunda gratidão e meu respeito às pessoas que doaram seus corpos ao ensino e à pesquisa médica — e às suas famílias.

Antes de contribuírem para a formação de tantos médicos, essas pessoas tiveram suas próprias histórias: sonhos, amores, alegrias, dificuldades e uma vida inteira de experiências.

Mesmo após a morte, deixaram um legado extraordinário: a possibilidade de que outros aprendam, aperfeiçoem suas habilidades e possam cuidar melhor de tantas vidas.

Por trás de cada oportunidade de aprendizado existiu uma vida que merece todo o nosso respeito. Esse reconhecimento deve estar presente em cada etapa de uma experiência como essa.

Minha gratidão ao NAVEG, ao IRCAD e aos professores

Agradeço a Deus pelas oportunidades de continuar me aperfeiçoando, compartilhar conhecimentos e contribuir para a formação de outros cirurgiões.

Ao NAVEG e ao IRCAD, meu agradecimento pelo espaço de ensino e pela oportunidade de fazer parte dessa experiência.

Ao querido Prof. Paulo Ayroza e à Profa. Helizabet Salomão Abdalla Ayroza Ribeiro, a Profa. Betinha, minha admiração, meu respeito e minha sincera gratidão pelo convite e, sobretudo, pela confiança em me atribuírem uma missão tão importante.

Foi uma honra compartilhar conhecimentos, experiências e aprendizados com colegas comprometidos com a formação cirúrgica.

Na medicina, nunca deixamos de ser alunos

Volto dessa experiência com entusiasmo e com uma convicção que se fortalece a cada ano: na medicina, nunca deixamos de ser alunos.

Ensinar não significa ter todas as respostas. Significa compartilhar o que sabemos com responsabilidade, reconhecer o que ainda precisamos aprender e seguir aberto à evolução do conhecimento.

É essa postura que busco levar para o ensino e para o cuidado com cada paciente. Porque continuar aprendendo também faz parte da responsabilidade de cuidar.

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