Histeroscopia na infertilidade: pólipos, cavidade uterina e istmocele

Dr. José Vitor Zanardi paramentado em centro cirúrgico

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Por Dr. José Vitor Zanardi
Médico ginecologista
CRM-SP 130.097 · RQE 38.308 · RQE 38.308-1

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A avaliação da infertilidade envolve diferentes perguntas, e uma delas é como está a cavidade uterina. É nesse espaço que o embrião se implanta. A histeroscopia permite observar seu interior diretamente e pode ajudar a investigar ou tratar alterações específicas. Porém, não é um exame obrigatório para toda mulher que deseja engravidar.

A indicação deve considerar a história clínica e os achados de outros exames. Saber por que o procedimento está sendo solicitado ajuda a compreender seu papel e suas limitações. Uma histeroscopia normal não avalia todas as causas de infertilidade, assim como uma alteração encontrada precisa ser interpretada no contexto da paciente.

Como a histeroscopia é realizada

O exame utiliza um instrumento com câmera, introduzido pela vagina e pelo colo para visualizar a cavidade. Pode ser realizado em consultório ou em ambiente cirúrgico, conforme o objetivo, a necessidade de intervenção e as condições da paciente.

Quando a proposta é apenas investigar, fala-se em histeroscopia diagnóstica. Se houver retirada de pólipo, tratamento de aderências ou outra intervenção, o procedimento é operatório. Em determinadas situações, diagnóstico e tratamento podem ocorrer na mesma etapa, desde que isso tenha sido planejado.

A escolha do ambiente e da analgesia ou anestesia deve ser individualizada. Dor durante procedimentos merece atenção. A paciente precisa receber uma explicação sobre o que será realizado e quais recursos de conforto estarão disponíveis.

Que alterações podem ser identificadas?

Pólipos endometriais, miomas que se projetam para a cavidade, aderências e algumas alterações de formato uterino podem entrar na investigação. A importância de cada achado varia. Não basta identificar uma imagem para concluir que ela explica, sozinha, a dificuldade para engravidar.

Um pólipo, por exemplo, precisa ser analisado junto com tamanho, localização, sintomas e plano reprodutivo. Se a retirada for proposta, o médico deve explicar o objetivo e o benefício esperado. O procedimento não deve ser apresentado como garantia de implantação embrionária.

Também é importante reconhecer limites. A histeroscopia observa o interior do útero, mas não substitui a avaliação de ovulação, reserva ovariana, fatores masculinos ou permeabilidade tubária. As trompas não podem ser consideradas funcionais apenas porque seus orifícios foram visualizados.

Quando ela é útil na investigação da infertilidade

Pode ser indicada quando existe suspeita de alteração na cavidade, sangramento que pede investigação ou um contexto reprodutivo em que os achados anteriores justificam avaliação adicional. A decisão deve ser orientada por uma pergunta clínica, e não apenas pelo desejo de fazer todos os exames possíveis.

Em pacientes com exames de imagem adequados e sem sinais de alteração intracavitária, realizar histeroscopia de rotina antes de qualquer tratamento nem sempre traz benefício. É necessário discutir o que se espera encontrar e como o resultado mudaria o plano.

Após tentativas frustradas de reprodução assistida, a avaliação também precisa ser individualizada. Uma transferência negativa não é motivo suficiente para atribuir o resultado à cavidade. Revisar o histórico completo ajuda a evitar procedimentos desnecessários.

O que é istmocele?

Istmocele é um defeito na região da cicatriz da cesárea na parede uterina. Pode estar associada a retenção de sangue, escape após a menstruação e, em determinados casos, dor ou dificuldade reprodutiva. Entretanto, muitas mulheres com esse achado não apresentam sintomas importantes.

A descrição no exame não determina automaticamente a necessidade de correção. É preciso avaliar se a alteração tem relação com as queixas e como se apresenta. Outros fatores podem explicar o sangramento ou a infertilidade, mesmo quando existe uma cicatriz com defeito.

O ultrassom e outros exames podem contribuir para medir o defeito e o tecido uterino restante. A histeroscopia oferece informações sobre a cavidade, mas não responde sozinha a todas as questões necessárias para escolher uma técnica de tratamento.

Toda istmocele pode ser tratada por histeroscopia?

Não. A escolha depende de características como espessura do músculo restante, anatomia, sintomas e desejo de gravidez. Em determinados casos, a abordagem histeroscópica pode ser discutida; em outros, uma reconstrução por outra via pode ser mais apropriada.

Esse planejamento exige cuidado, porque procedimentos diferentes não têm os mesmos objetivos. Melhorar a drenagem de sangue e reconstruir a parede uterina são propostas distintas. A paciente precisa compreender o que a técnica escolhida pretende alcançar e quais limites possui.

Também devem ser discutidos riscos, recuperação e orientações para uma futura gestação. Não é adequado extrapolar a experiência de outra paciente para qualquer defeito de cicatriz. Medidas e contexto reprodutivo podem mudar completamente a decisão.

E a biópsia do endométrio?

Em situações selecionadas, pode ser indicado retirar uma amostra para análise. A necessidade depende da suspeita clínica e do que se pretende investigar. Biópsia, histeroscopia e exames contrastados são procedimentos diferentes, com indicações e preparo próprios.

Não existe uma sequência universal para realizá-los no mesmo ciclo. A programação precisa considerar a finalidade, o momento menstrual, a possibilidade de gravidez e o protocolo do serviço. Antes de agendar vários procedimentos juntos, confirme a organização com a equipe responsável.

Como se preparar para a decisão

Leve ultrassons, relatórios de cesárea ou cirurgias uterinas e informações sobre tentativas anteriores. Descreva sangramento após a menstruação e outros sintomas, mesmo que pareçam discretos. Esses detalhes ajudam a selecionar a investigação.

Se você está avaliando a cavidade uterina antes de um tratamento reprodutivo, conheça a página de tratamento de infertilidade. Na consulta, podemos discutir se a histeroscopia responde a uma necessidade concreta e como seu resultado poderá orientar o plano.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação médica individual.

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