Fertilização in vitro: passo a passo, da estimulação ao teste de gravidez

Ilustração de micromanipulação de um óvulo na técnica de ICSI.

Autoria

Por Dr. José Vitor Zanardi
Médico ginecologista
CRM-SP 130.097 · RQE 38.308 · RQE 38.308-1

Conheça o médico →

A fertilização in vitro (FIV) envolve estimulação dos ovários, coleta dos óvulos, fecundação em laboratório, desenvolvimento dos embriões e transferência para o útero. Quando os embriões são congelados, a transferência acontece em outro ciclo, após a preparação do endométrio.

Conhecer essas etapas ajuda a organizar a rotina e entender o que esperar. No meu atendimento, conversamos sobre cada decisão, com explicações sobre o planejamento, as possibilidades e as limitações do tratamento.

O que é fertilização in vitro e quando ela pode ser indicada?

Na FIV, o encontro entre óvulo e espermatozoide acontece no laboratório. Depois, um embrião é colocado na cavidade uterina para que possa ocorrer a implantação e o início da gestação.

O tratamento pode ser indicado em alterações das trompas, alterações importantes do sêmen, situações relacionadas à endometriose ou quando outras abordagens não levaram à gravidez. A indicação depende da avaliação da infertilidade.

A FIV permite que a fecundação ocorra sem depender da passagem pelas trompas. Entretanto, alterações como a hidrossalpinge, em que uma trompa fica dilatada e contém líquido, podem exigir tratamento antes da transferência.

Em quem tem endometriose, ela pode contornar algumas dificuldades para engravidar, mas a doença ainda pode influenciar o planejamento. O resultado também depende da idade dos óvulos, dos espermatozoides, do desenvolvimento embrionário e das condições para implantação.

1. Avaliação e planejamento do tratamento

Antes das medicações, revisamos a história de saúde, os exames disponíveis e os tratamentos anteriores. Avaliamos os ovários, o útero e o sêmen, conforme o caso.

A idade, a reserva ovariana e a resposta a estímulos anteriores ajudam a escolher o protocolo. Também conversamos sobre o desejo de ter mais de um filho e sobre a possibilidade de congelar embriões para tentativas futuras.

Boa reserva ovariana pode favorecer a obtenção de mais óvulos, mas não garante sua qualidade nem o sucesso do tratamento. O planejamento busca equilibrar resposta e segurança, com atenção ao risco de síndrome de hiperestimulação ovariana, especialmente quando se espera uma resposta elevada.

2. Estimulação ovariana e acompanhamento por ultrassom

A estimulação utiliza medicamentos hormonais para favorecer o crescimento de vários folículos, as pequenas estruturas dos ovários onde os óvulos se desenvolvem.

Essa fase costuma durar aproximadamente 10 a 14 dias, com variações individuais. As aplicações são orientadas pela equipe, e o acompanhamento inclui ultrassonografias e, quando necessário, exames de sangue.

Durante o processo, avaliamos o crescimento dos folículos e a necessidade de ajustes. Outros medicamentos podem ser utilizados para evitar a ovulação antes do momento planejado.

Quando os folículos atingem condições adequadas, uma medicação final, chamada de gatilho, promove a maturação dos óvulos. O horário dessa aplicação deve ser seguido com atenção.

3. Coleta dos óvulos: como é feita a punção folicular?

A coleta costuma acontecer cerca de 34 a 36 horas após o gatilho, conforme a programação da equipe.

O procedimento é realizado por via vaginal, com uma agulha guiada por ultrassom, geralmente sob sedação. O líquido dos folículos é aspirado e examinado pelo embriologista para identificar os óvulos.

Após um período de observação, a alta geralmente ocorre no mesmo dia. A equipe orienta sobre jejum, acompanhante, recuperação e sinais que exigem contato.

No vídeo abaixo, acompanho algumas etapas do tratamento, incluindo a coleta dos óvulos.

Nem todo folículo contém um óvulo recuperável, e nem todo óvulo coletado está maduro. Por isso, o número de folículos observado no ultrassom pode ser diferente do número de óvulos disponíveis para fertilização.

4. Fertilização em laboratório: FIV convencional ou ICSI

Após a coleta, os óvulos são avaliados e o sêmen é preparado. A fecundação pode ocorrer por duas técnicas:

  • FIV convencional: óvulos e espermatozoides são colocados juntos no laboratório.
  • ICSI: um espermatozoide é introduzido diretamente em um óvulo maduro.

A escolha considera as características do sêmen, a história do tratamento e a avaliação da equipe. A ICSI tem indicações específicas e não é obrigatória em todos os casos.

No dia seguinte, o laboratório verifica quais óvulos apresentaram sinais de fecundação.

5. Desenvolvimento dos embriões e análise genética, quando indicada

Os embriões permanecem em condições controladas no laboratório, com acompanhamento de seu desenvolvimento. Quando o cultivo segue até blastocisto, essa fase geralmente é alcançada entre o quinto e o sétimo dia.

É esperado que o número diminua ao longo do processo: nem todo óvulo fertiliza, e nem todo embrião chega à fase adequada para transferência ou congelamento.

Em situações selecionadas, pode ser discutido o teste genético pré-implantacional para aneuploidias, o PGT-A, que analisa o número de cromossomos em células retiradas do embrião.

O teste pode ajudar na seleção embrionária e reduzir perdas relacionadas a alterações cromossômicas em determinadas circunstâncias. Contudo, não melhora o embrião, não garante implantação ou nascimento e não demonstrou aumentar a chance acumulada de ter um bebê para todas as pacientes. Sua indicação deve considerar benefícios, limitações e riscos.

6. Congelamento dos embriões ou transferência a fresco

Os embriões adequados podem ser congelados por vitrificação e armazenados para uso futuro. Assim, a formação dos embriões e a transferência podem acontecer em momentos diferentes.

Essa estratégia pode ser escolhida por segurança, necessidade de análise genética ou condições clínicas e hormonais. Uma coleta pode gerar embriões para mais de uma transferência, embora algumas pacientes precisem de novas estimulações.

Também é possível realizar a transferência a fresco, poucos dias após a coleta, no mesmo ciclo. A escolha entre transferir a fresco e congelar depende do caso; nenhuma estratégia oferece melhores resultados para todas as pessoas.

7. Preparo do endométrio e transferência embrionária

O endométrio é o revestimento interno do útero. Para receber um embrião congelado, sua preparação pode acompanhar a ovulação natural ou utilizar medicamentos, conforme o planejamento.

Os ultrassons e, quando indicados, os exames hormonais ajudam a definir o momento da transferência. O descongelamento é programado pelo laboratório e pode ocorrer no próprio dia ou anteriormente, conforme o protocolo.

Na transferência, um cateter fino passa pelo colo do útero e deposita o embrião na cavidade uterina, geralmente com orientação por ultrassom. O procedimento costuma ser breve e, na maioria dos casos, dispensa sedação.

A transferência de um único embrião é frequentemente priorizada para reduzir o risco de gestação múltipla. A decisão é individualizada.

8. Teste de gravidez e acompanhamento

O beta-hCG é realizado na data indicada pela equipe, geralmente entre 9 e 14 dias após a transferência, conforme a idade do embrião e o protocolo. Em muitos dos tratamentos que acompanho, o exame é programado para cerca de 11 dias depois.

Evite antecipar o teste ou suspender os medicamentos por conta própria. Se o resultado for positivo, o acompanhamento inclui a evolução hormonal e, posteriormente, ultrassom para confirmar a localização e a evolução da gestação.

Quanto tempo dura a fertilização in vitro?

Da estimulação ao desenvolvimento dos embriões, o processo costuma levar aproximadamente duas a três semanas. A avaliação inicial e eventuais tratamentos prévios acrescentam tempo ao planejamento.

Quando há congelamento, a transferência ocorre em outro ciclo. O prazo total depende da recuperação, dos exames e da estratégia escolhida. Na consulta, organizamos um cronograma compatível com seu caso.

Se a primeira transferência não der certo, preciso repetir tudo?

Se houver embriões congelados disponíveis e adequados, geralmente não é necessário repetir a estimulação nem a coleta. Após a reavaliação, podemos planejar outra preparação do endométrio e transferência.

Um resultado negativo não significa que você fez algo errado. Revisamos a evolução de cada etapa para decidir se é necessário ajustar o plano.

Como começar o tratamento de FIV?

O primeiro passo é uma consulta para compreender sua história e avaliar se a FIV faz sentido para você. Explico as etapas, esclareço dúvidas e conversamos sobre expectativas realistas, sem garantia de resultado.

Os procedimentos de reprodução assistida são realizados na Semear Fertilidade, conforme a organização de cada etapa.

Você pode conhecer mais sobre a fertilização in vitro no meu atendimento ou agendar sua consulta online. Para o atendimento presencial em Ribeirão Preto, a equipe organiza a data pelo WhatsApp. Antes do encontro, também pode preencher o questionário de pré-consulta.

Dr. José Vitor Zanardi
CRM-SP 130.097
Ginecologia e Obstetrícia — RQE 38.308
Reprodução Humana — RQE 38.308-1

Fontes de apoio

Consulta online ou presencial

Quer conversar sobre o seu caso?

Você pode agendar uma teleconsulta particular pelo site. Para atendimento presencial em Ribeirão Preto ou dúvidas sobre o agendamento, converse com a equipe.

Saiba mais: Endometriose · Miomas · Infertilidade · FIV

Mais Artigos