Existe uma crença muito comum de que retirar o útero — a histerectomia — é a cura definitiva para a endometriose. Para muitas mulheres, descobrir que os sintomas continuaram mesmo após a cirurgia é uma surpresa dolorosa. Entender por que isso acontece é essencial para não criar expectativas equivocadas.
Por que a endometriose pode continuar sem o útero
A endometriose é uma doença em que um tecido semelhante ao endométrio (a camada interna do útero) se implanta fora do útero — em locais como ovários, peritônio, intestino e bexiga. É justamente por estar fora do útero que a doença não desaparece só porque o útero foi removido.
A histerectomia resolve o sangramento uterino e problemas ligados ao próprio útero, mas as lesões de endometriose espalhadas por outros órgãos permanecem ali. Se essas lesões não forem tratadas, os sintomas — especialmente a dor — podem persistir.
O papel dos ovários e dos hormônios
A endometriose é uma doença dependente de hormônios, principalmente do estrogênio. Enquanto os ovários continuam produzindo esses hormônios, as lesões podem permanecer ativas. Por isso, a decisão sobre manter ou não os ovários durante a cirurgia é individualizada e leva em conta idade, sintomas e desejo da paciente — sempre pesando os benefícios e os riscos de uma menopausa precoce.
O que realmente faz diferença
O ponto central é que o tratamento cirúrgico da endometriose não se resume a retirar o útero. O que melhora os sintomas é a remoção completa das lesões onde quer que elas estejam — o que exige uma cirurgia especializada, muitas vezes minimamente invasiva, focada em tratar todos os focos da doença.
Uma histerectomia isolada, sem o tratamento dos demais focos, pode deixar a doença ativa.
Cuidados após a cirurgia
Mesmo após um tratamento bem conduzido, o acompanhamento continua importante. Isso inclui:
- Monitoramento dos sintomas ao longo do tempo.
- Avaliação da necessidade de tratamento hormonal ou clínico complementar.
- Atenção à saúde óssea e ao bem-estar geral, sobretudo se os ovários foram removidos.
Conclusão
Retirar o útero pode fazer parte do tratamento da endometriose em situações específicas, mas raramente é, sozinho, a solução. Se você fez ou vai fazer histerectomia e tem endometriose, converse com um especialista sobre o tratamento completo das lesões e sobre o acompanhamento necessário depois.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.